Há uma semana, mais ou menos, eu pedi um help! para uns amigos em uma lista de discussão , o GELF (grupo de estudos de literatura fantástica) sobre as origens de certas festas, celebrações, datas, enfim, coisas que comemoramos e nem sempre temos ideia da origem.
Antes, porém, de iniciar este processo (sim, porque vai ser um tanto longo), vou justificar a escolha do post. Recebi um email há uns dias sobre o ratimbum, falando que era coisa errada falar quando cantar parabéns, que era uma invocação, bla bla bla, e como sou pouco curiosa, fui pesquisar um pouco mais.
Encontrei um site, um blog, na realidade, que falava sobre isso, que na verdade não tinha nada a ver, que era uma onomatopeia, algo criado com a finalidade de estar na canção do parabéns. Contudo, o que mais chamou a minha atenção foram os comentários, um mais absurdo que o outro, condenando o tal post e iam além…falavam que era errado comemorar aniversário, que era um costume não cristão e por aí vai…
Bom, eu me considero cristã, mas acho algumas coisas um monte de besteira, vou explicar. É muito fácil afirmar que tal coisa é do diabo ou que outra coisa não deve ser feita porque não há exemplo na Bíblia de que tal coisa era feita. Contudo, antes de afirmar tais coisas, é necessário muito embasamento bíblico, ou se criam muitas regras que na realidade não deveriam existir e que criam preconceitos dentro e fora da comunidade cristã que não deveriam existir. O grande exemplo deixado por Jesus foi seu amor incondicional, ponto. Não vou entrar em discussões teológicas que não levarão a lugar algum – será semelhante a discutir o sexo dos anjos…
Falando dos aniversários – o indivíduo que falou acerca disso, disse que na Bíblia não se comemoravam anversários e coisas afins, que era uma celebração errada pois Jesus não comemorava seu aniversário. bem, não há certamente registro sobre este fato – se Jesus comemorava ou não aniversários, a Bíblia realmente não fala. No entanto, não pe essa a questão, se fôssemos seguir exatamente tudo queJesus fez literalmente, bem, não teríamos um lugar fixo para morar, vestiríamos roupas enormes e basicamente marrom, e viveríamos andando por aí, além da morte na cruz…alguém aí se habilita?
Então, na minha opinião, é hipocrisia falar que deveríamos seguir literalmente os passos de Jesus quando realmente ninguém o faz. Por isso, um pouco acima, disse que o maior exemplo – e aquele que devemos seguir – é o amor ao próximo incondicional (ok, isso é para outro post….)
Mais uma vez, não vou entrar em discussões teológicas, especialmente sobre salvação (na qual eu acredito, mas não vou forçar ninguém a acreditar, não é meu trabalho)
Voltemos às festas, celebrações, etc…
A primeira, e mais próxima temporalmente de nós hoje, é a Páscoa. Bem, não é muita novidade dizer que páscoa não se trata apenas de ovos de chocolate e coelhos da páscoa, embora a raiz disso seja muito antiga. Vamos aos nomes pelos quais conehcemos a páscoa. Basicamente: Passover(termo em ingles – já explico), Pessach e Easter
Passover (ou Pessach) é a páscoa dos judeus (hum?) é, claro!!! Não sei se a mais antiga, mas pelos registros, deve ter algo em torno de 4 ou 5 mil anos…Durante este evento, os judeus comem pão sem fermento (entre outras coisas) e relembram sua libertação do cativeiro egípcio. Durante aquela noite, o anjo enviado por Deus, passou por sobre a terra do Egito e matou todos os primogênitos que haviam naquela terra. Apenas os israelitas se livraram porque passaram sangue de cordeiro (novo, um ano, sem defeito, macho) nos batentes das postas de sua casa. O sangue libertou os israelitas pois ao ver o sangue nas portas, o anjo passou sobre as casas (pass over). Nesta noite, o faraó deixou o povo sair.
Em resumo, é essa libertação que os judeus comemoram, e foi durante um desses anos, há cerca de dois mil anos atrás, que Jesus foi crucificado.
Bom, matei dois com uma cajadada né? nem tanto. Muitos termos que se referem à Páscoa tem a ver com o ‘pessach’. E muitos outros se relacionam ao ‘easter’. O primeiro vem de tradições do Oriente Médio (hello?? judeus!!), celebrações de início da primavera – se realmente prestarmos atenção, veremos que comemoramos a páscoa sempre no início do outono, basicamente, se a lógica funciona, então lá no hemisfério norte, é o início da primavera!!! – provavelmente com o sentido de novo começo, afinal, na primavera vem as flores, a vida começa novamente depois do inverno, que representa o fim, morte, etc (calma gente – são simbolismos básicos).
Já ‘easter’ vem de tradições do norte da europa, basicamente. Esta celebração ocorre, segundo minhas fontes (heheheh) no equinócio de primavera, ao meu ver, muito relacionado à questão da renovação, da vida que a primavera traz – afinal, vale lembrar, as culturas antigas tinham muita ligação com a natureza, algo que nós, da cidade grande (hihihi) não sabemos mais tanto como é….infelizmente. Nesse aspecto de renovação, entra o nosso famoso ovo! gente, biologia básica, um ovo é uma célula (algo como o óvulo da mulher) pronta para ser fecundada – se não é, temos ovo frito!!! (huahauhauau)
Então, basicamente, as celebrações de páscoa por todo mundo tem significados profundamente relacionados á renovação, vida nova, novas oportunidades, etc. Nada a ver com o nosso querido e delicioso ovo de chocolate e coelho (afinal, coelho não bota ovo). Acredito que vale a pena lembrar dessas coisas – para quem é cristão, lembrar do sacrifício e das coisas novas que isso trouxe para o mundo; para quem não é, outras tradições revelam essa renovação, tanto quanto o cristianismo.
Claro, alguém pode me dizer que o cristianismo se apropriou de determinadas datas, claro, com objetivos de domínio, mas não pe essa a questão aqui, estou me referindo mais ao que estas celebrações significam do que apropriações para domínio.
Falando em apropriação, voltemos ao Natal – acredito que a segunda data mais comemorada e mais conhecida – pelo menos em um contexto cristão (gente, não entendam cristão = católico, por favor!!!).
Os cristãos comemoram o natal no dia 25 de dezembro, mas, dizem, jesus não nasceu nessa data, ele teria nascido no verão ou na primavera – no inverno, ao que parece, é praticamente impossível ficar ao ar livre naquela região (hum?)…é verdade, já ouvi isso, e tenho a tendência em acreditar, por quê? Sigam-me os bons!
mais uma data apropriada durante o domínio católico na Europa (Império Romano – assistam Rei arthur!!), o dia 25 de dezembor marca o solstício de inverno – ou seja, é a noite mais longa do ano no hemisfério norte, depois dela, as noites começam a diminuir até o solstício de verão.
Nesta data, podemos verificar três comemorações diferente:
- festividade romana que comemorava o nascimento do deus sol invencível (solstício de inverno)
- festividade em honra ao deus Saturno (Saturnália)
- nascimento de Mithra, um deus persa de nascimento misterioso (Sol da virtude)
Vamos lá – nascimento do deus sol invencível: adaptado ao cristianismo, afinal, para alguns, o sol é a morada de Cristo, então, nada mais lógico que celebrar o nascimento de Cristo no dia do nascimento do deus que representa o sol.
É possível e uma rápida pesquisa no google vai mostrar que há relação entre as celebrações ditas pagãs tenham sido adaptadas ao contexto católico-cristão como uma estratégia para adquirir novos membros – não é uma hipótese que podemos rejeitar de cara, apenas a semelhança das datas e comemorações já nos mostra o quanto isso é possível.
Finalmente, vale dar uma olhada no Halloween (o quê????)
Sim, o ‘dia das bruxas’, comemorado no hemisfério norte (gente, vamos combinar, é celebração originada lá) no dia 31 de outubro, bem próximo ao dia de finados, data católica….hummmmm mais uma apropriação?
A data se aproxima mais do festival celta conhecido por Samhain (alguém aí já viu supernatural?)
Segundo pesquisas, acreditava-se que nesta data, o limite, ou barreira, entre o mundo dos mortos e o dos vivos ficava muito fino, permitindo a passagem dos mortos para o mundo de cá (heheh). Para se protegerem, as pessoas usavam máscaras e fantasias. Samhain tambpem era uma época em que as pessoas começavam a guardar mantimentos pro inverno que se aproximava, além do costume de fazer fogueiras, lançar os ossos dos animais mortos nelas e os rituais de purificação.
O dia seguinte, dia 1 de novembro, era um dia especial, tanto, que a Igreja mudou o dia de todos os santos para este dia, de forma a adaptar-se ao mundo que estava conquistando, um mundo antigo, cheio de suas próprias crenças e que não engoliria facilmente alguém dizendo no que acreditar.
Há, é claro, outras celebrações que poderiam estar aqui, mas essas três, ao meu ver, são as mais significativas e as que sempre trazem discussões. Eu sei que não é algo muito profundo, não foi realmente meu objetivo me aprofundar nesse assunto. O objetivo era trazer um pouco mais de informação, afinal, onde a luz brilha, não há preconceitos – há conhecimento – e conhecer nunca é demais!! (ao meu ver, é claro!)